10 Passos

Por admin

É um dos rostos mais reconhecidos da Quercus. Técnica do Grupo de Energia e Alterações Climáticas também coordena e apresenta há dez anos o Minuto Verde na RPT. Sara Campos partilha connosco os seus 10 passos para um estilo de vida mais sustentável.

©Américo Simas/CML
Sara Campos

1 ADERIR À MOBILIDADE ELÉTRICA
A mobilidade elétrica é cada vez mais uma aposta segura – e não poluente – tanto nas deslocações do dia-a-dia ou em lazer. Ao fim de 6 anos a percorrer 15 mil quilómetros anuais, os carros elétricos já compensam em quase todos os segmentos, considerando o custo de posse e utilização. Por outro lado, multiplicam-se os veículos de duas e quadro rodas movidos a eletricidade e disponíveis em serviços de uso partilhado e descentralizado.

2 COMPRAR A GRANEL
A forma como consumimos está muito automatizada segundo os formatos do retalho tradicional, assentes em produtos pré-embalados com quantidades standard. Contudo, além de encarecer o produto, a embalagem é muitas vezes desnecessária. Tendo essa consciência, passei a comprar a granel grande parte dos meus produtos alimentares, dos frescos às leguminosas passando pelos cereais e especiarias, porque dessa forma posso facilmente reutilizar sempre o mesmo invólucro e, ao mesmo tempo, comprar à medida das minhas necessidades.

3 COMPENSAR A PEGADA ECOLOGICA
O nosso estilo de vida está associado a uma pegada ecológica, que reflete a área de superfície produtiva necessária para alimentar os nossos hábitos de consumo, mobilidade, produção energética, ocupação do solo, etc. Por vezes, não nos é possível evitar algumas atividades de maior impacto ambiental, como por exemplo uma viagem de avião. Mas já é possível e muito fácil contrabalançar esses prejuízos ambientais, compensando as emissões poluentes associadas a essa atividade, através por exemplo de uma ação de reflorestação devidamente certificada.

4 REDUZIR A FATURA ENERGÉTICA MENSAL
Comecei por substituir todas as lâmpadas em minha casa pelas suas equivalentes LED (90% mais eficientes), mas existem várias formas de reduzirmos a fatura energética mensal, alargando essa substituição aos equipamentos e eletrodomésticos que consomem muita energia e preferindo modelos de elevada eficiência energética. Um bom guia poderá ser o site topten que mostra os líderes em eficiência energética no mercado nacional. Outras mudanças que adotei, foi a redução da potência contratada em minha casa e a adesão à tarifa bi-horária, pequenas escolhas que já se refletem numa fatura mais leve ao final do mês.

Fotografia Vencedora da 2ª edição do Concurso Instagram BMW i
#BMWiNaturePhoto de Angelo Jesus. Esta categoria pertence à 5ª edição do Concurso Nacional de Fotografia de Natureza promovido pela Quercus e a BMW i.

5 APLICAR A REGRA DOS 5Rs
A chamada “regra dos 5 Rs” é um bom mantra para começarmos a produzir menos resíduos. De modo a ser eficaz, deve ser seguida por esta ordem: Recusar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar e, por fim, Compostar, que corresponde à expressão “Rot”, em inglês. Olhando para estas 5 regras como uma pirâmide invertida, quanto mais eficazes formos em cada fase, menos resíduos vão passar para as seguintes e, logo, menos desperdício teremos em mãos para reciclar ou compostar. Aqui em casa, a prova de que esta lógica dá resultados é o caixote de lixo ser praticamente composto apenas por resíduos orgânicos.

6 DEIXAR DE COLOCAR RESÍDUOS NOS SÍTIOS ERRADOS
Uma quantidade ainda considerável do nosso lixo doméstico ainda provém da parcela indiferenciada, significando isto que a recolha seletiva está muito aquém do seu potencial e dos objetivos estabelecidos. Além das embalagens destinadas aos ecopontos azul, amarelo e verde, há muitos outros tipos de resíduos que são recicláveis e que têm pontos específicos de recolha. A aplicação móvel gratuita waste app, da Quercus, diz-nos onde podemos colocar mais de 50 tipos de resíduos dentro de determinada área geográfica. No meu caso, já me ajudou a descobrir onde posso doar, por exemplo, óculos graduados que já não uso.

Categoria Vida Marinha ©João Miguel Pereira Roque, ‘Porto de Abrigo’

7 ELIMINAR PRODUTOS DESCARTÁVEIS NO DIA-A-DIA
À medida que se aperta o cerco aos produtos de utilização única, especialmente àqueles feitos de plástico de origem fóssil, surge um leque cada vez mais vasto de soluções reutilizáveis feitas a partir de materiais naturais, duráveis e de baixo impacto ambiental. Está na altura de reaprendermos a consumir para produzirmos menos resíduos. Pessoalmente, tenho vindo a fazer um esforço para eliminar produtos descartáveis e de plástico da minha vida, que usamos uma vez e deitamos fora, desde a loiça descartável aos artigos de limpeza, beleza e higiene.

8 COMBATER O DESPERDÍCIO DE ÁGUA
Nunca é demasiado tarde para pormos em prática pequenos gestos de poupança de água e o mais simples é começar nas nossas casas. No meu caso, comecei por colocar redutores de caudal nas torneiras e nos duches; aproveitar águas limpas que sobram de várias atividades por exemplo para a rega e coloquei ainda um recipiente na casa de banho para recolher a água do duche enquanto aquece e que, no meu caso, chega quase a 3 litros. Fora de casa, o uso racional deste recurso escasso deve ser também uma preocupação e todos devemos denunciar, sem vergonhas, situações de avaria ou má utilização que causem desperdício de água.

9 DAR UMA OPORTUNIDADE AOS TRANSPORTES PÚBLICOS
Uma vez que não tenho carro próprio, uso regularmente os transportes públicos, especialmente o autocarro que, em média, retira 40 a 50 automóveis da estrada. Felizmente, são cada vez mais os incentivos à utilização dos transportes públicos, em que se incluem tarifas reduzidas para crianças, idosos e estudantes; passes familiares mais vantajosos; estacionamento gratuito ou mais barato junto dos principais interfaces ou ainda a possibilidade de pagar o título de transporte após a viagem. Outra opção a que recorro são os serviços de carsharing, ou partilha de veículos, como a DriveNow, ideais para quando tenho de me deslocar a locais que ficam fora da rede de transportes públicos.

10 FAZER UMA DIETA ALIMENTAR MAIS SAZONAL E COM PRODUTOS BIOLÓGICOS
Reduzir a pegada ecológica da nossa alimentação implica repensar algumas escolhas. Antes de comprar, procuro saber onde, quando e como foi produzido um determinado alimento, mesmo que isso implique uma leitura mais demorada dos rótulos na loja. E, sempre que possível, as respostas deverão ser, respetivamente, “na minha região ou país”; “na época em que me encontro” e “através de métodos produtivos ambientalmente responsáveis, como a agricultura biológica”. Além de ser uma escolha mais sustentável, comprar local e sazonalmente ajuda também a poupar dinheiro.

Categoria Fauna: Maria Augusta de Almeida Pinto, ‘Veado Vermelho’
A Quercus e a BMW i promoveram em 2018 a 5ª edição do Concurso Nacional de Fotografia de Natureza, os vencedores das categorias principais – Fauna, Flora e Vida Marinha foram revelados a 28 de fevereiro. Com cinco edições realizadas, este Concurso de Fotografia já recebeu mais de 10.000 fotografias e atribuiu mais de 20.000 euros em prémios, pretendendo promover a conservação da fauna e flora portuguesas, através da atividade fotográfica.
Fotografia de destaque: Categoria Flora , Pedro Silva, ‘Juniperus brevifolia – Cedro do Mato’

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