Porque devemos continuar a dizer sustentabilidade?

Por Sandra Dias

Começo hoje a série “esbarrei com a sustentabilidade” que retrata as minhas experiências em torno deste tópico e convido-vos a participar.

Com esta série pretendo que diferentes perspectivas, descobertas e experiências contribuam para enriquecer o diálogo e reforçar a importância do desenvolvimento sustentável. Certamente até os mais distraídos já se depararam com o desconforto e surpresas que a palavra sustentabilidade pode gerar. E é sobre estas experiências que quero partilhar e desafiar-vos a compartilha-las aqui.

Estive no Organii Ecomarket no final de outubro, onde participei numa mesa redonda sobre Responsabilidade na Moda, organizada pela Baseville e moderada por Ana Costa. E foi aí que tive a certeza do quanto a palavra sustentabilidade é incómoda e causadora de constrangimentos.

Fiquei muito surpreendida, porque estava perante colegas e um publico mais abertos a esta temática. Infelizmente esse é o efeito que a banalização desta palavra tem sobre os mais atentos e preocupados com estas questões. Afinal o que o que significa sustentabilidade? O que é que torna uma marca mais ou menos sustentável?

Photo: Rafael Garcin | Unsplash

Esbarrei Com A Sustentabilidade

Esta não foi a primeira vez que esbarrei com a sustentabilidade. Enquanto preparava o conceito do terramotto, decidi que a moda e a sustentabilidade seriam o foco principal. Em abril deste ano, quando finalmente ficou disponível online, percebi que poucos são os que querem falar abertamente sobre este tema.

Os desafios que este tópico nos coloca, enquanto consumidores e marcas, são complexos, traiçoeiros e às vezes incompreendidos. Há consumidores que guiam as suas decisões de compra com base nos parâmetros ecológico e ético. E outros que apenas se preocupam com o valor da compra.

Existem marcas que se auto-intitulam sustentáveis e outras que evitam a todo custo esta definição ou associação. Certamente porque receiam o escrutínio da opinião publica. Guiada muitas vezes pelos altos valores morais dos media, que criticam as poucas iniciativas, relacionando-as a greenwashing.

O inverso também pode acontecer. Devido a condicionamentos comerciais, os media podem omitir factos importantes relacionados com a conduta e valores de algumas marcas ou passar uma imagem incompleta de sustentabilidade. E neste jogo de interesses, perdemos todos. Não estou aqui para criticar. E sim para tentar ajudar a esclarecer este tópico.

People, Planet and Profit

A sua explicação é simples e baseia-se no equilíbrio de três grandes pilares, em que o conceito 3P ou Triple Botton Line assenta. Sendo que o P representa as iniciais das palavras People, Planet and Profit. Resumindo, a sustentabilidade é o equilíbrio entre os factores social, ambiental e económico.

Estes três factores, quando bem geridos, é que tornam as marcas verdadeiramente sustentáveis. Num mundo perfeito não existiriam desigualdades socais, ambientais e nem económicas. Contudo, é na gestão destes três factores que o conceito de sustentabilidade se torna complexo e desconfortável para muitos.

Photo: Daniel Hansen | Unsplash

Ultrapassar estes constrangimentos que a palavra sustentabilidade nos coloca devia ser fácil. Afinal é uma das consequências da era hipermoderna em que vivemos. Onde a globalização, o hiperconsumo e a democratização da moda, entre outros indicadores, são parte integrante do nosso estilo de vida.

Todavia, é fundamental as marcas terem lucros para investirem nas pessoas e em melhores condições de trabalho. É imperativo que invistam em matérias primas amigas do ambiente e poupem os recursos naturais. Como também é crucial, no nosso papel de consumidores, sabermos distinguir e avaliar, livres de influencias, as nossas decisões de compra e incentivar o desenvolvimento sustentável.

Sustentabilidade é uma palavra importante, sobretudo porque espelha e impacta o resultado das nossas ações nas vidas das pessoas e do planeta. É um elemento chave para o desenvolvimento e deve ser integrada na estratégia de crescimento das marcas. Ao banalizarmos o seu significado estamos a retirar-lhe importância. E isso contraria os objectivos de desenvolvimento sustentável. Se a sustentabilidade é o fiel da balança não devíamos esbarrar nela nem tão pouco torna-la tabu.

Algum comentário, pergunta ou feedback? Envie as suas sugestões para hello@terramotto.com Vamos gostar de ler o que tem para nos dizer.

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