By ARC: autentica, responsável e consciente

Por Sandra Dias

Ana Rita Clara empresta o seu estilo e popularidade à Skizo. Os ténis sustentáveis From The Ocean With Love by ARC são o resultado desta parceria.

Moda é comunicação, é cultura, é negócio e um agente de mudança. Mudança de comportamentos e atitudes. Quando falamos da sua importância nas nossas vidas, muitas vezes não nos apercebemos o quanto ela reflete e sintetiza tudo o que se passa à nossa volta.

Atenta a todos estes factos, Ana Rita Clara é também uma impulsionadora da mudança e adora moda. O seu estilo de vida e a sua profissão levam-na ao encontro de projetos que promovem a consciência e a responsabilidade social e ambiental.

From the Ocean With Love, podia ser o nome de um programa de televisão, o tema de uma conferencia, mas neste caso é a frase gravada na sola dos ténis sustentáveis Sziko by ARC que Ana Rita Clara desenvolveu em parceria com a Skizo by iRcycle (diz-se “ai-ri-çai-quel”).

Quando convidada pelo casal Andreia Coutinho e André Facote, fundadores da Skizo para se juntar a este projeto de moda, que pretende preservar o ambiente, a apresentadora e empresaria não hesitou em aceitar o desafio. Afinal, Ana Rita já há muito que se comprometeu com o desenvolvimento para uma transformação positiva e sustentável.

A possibilidade de dar voz à importância da reutilização de resíduos plásticos que acabam nos mares e nos oceanos foi o argumento mais que suficiente para materializar o estilo de Ana Rita Clara em forma de ténis. Produzidos inteiramente em Portugal os ténis Skizo by ARC são o resultado de uma reunião de resíduos reaproveitados, plástico reciclado, pinatex (pele vegana feita a partir de folhas de ananás) e borracha reciclada.

Com a particularidade de serem totalmente customizavéis por quem os comprar. Com esta possibilidade a Skizo apenas produz o que vende, reforçando assim a prática de utilização responsável e consciente dos recursos naturais, humanos e energéticos à sua disposição.

Mas quisemos saber mais sobre esta parceria e sobre os outros projetos a que Ana Rita Clara dedica o seu tempo. Com uma agenda bastante preenchida Ana Rita conseguiu organizar-se e juntar-se a nós para uma conversa que aconteceu na manhã em que Greta Thunberg era aguarda na Doca de Alcântara por dezenas de jovens. Todos eles preocupados com o futuro da Terra.

Com esta colaboração Ana Rita Clara faz bom uso da comunicação e promove a mudança de atitudes e comportamentos. Mostrando que a moda também pode actuar positivamente nas nossas vidas e no planeta. ARC são as iniciais do seu nome mas também resumem esta parceria: autentica, responsável e consciente.

Esta entrevista foi editada e condensada para facilitar a leitura.

Ténis Skizo by ARC - From Ocean With Love

Ana Rita Clara e a Skizo

Como é que surgiu esta parceria entre a Skizo e a Ana Rita Clara?

Surgiu de uma forma muito natural, como eu acredito que acontecem os grandes projetos. Porque os grandes projetos são sempre feitos claramente de boas ideias e sobretudo de se estar no momento certo com as pessoas certas.

Eu sou sempre muito movida por tudo que é a sustentabilidade. Em outubro estive na ModaLisboa como speaker sobre moda sustentável. Como o André e a Andreia me viam tão próxima da causa e com isso da a ModaLisboa – e eles com um produto com tanta qualidade – vieram falar comigo. Tudo começou numa conversa completamente informal.

Também fui a host da Acredita Portugal, onde se lançam e permeiam start ups no nosso país. E eles foram uns dos vencedores. Já aí, ficou o contacto mais solidificado e depois como tenho o meu canal de tv online, que lancei em Julho, o AnaRitaClara e onde tenho a loja e-commerce – o que facilita porque está mais perto do publico – fui entrevista-los.

E nessa entrevista ainda ficamos mais próximos. Tudo aconteceu muito naturalmente e terminamos a entrevista a conversar. Eu sabia que nessa conversa mais próxima iria ter a certeza dentro de mim, para o desafio que eventualmente fazia sentido.

Esta magia aconteceu porque a Andreia, o André e eu falávamos, e eles perguntaram-me porquê que eu criei o Change It. Respondei-lhes que sinto uma responsabilidade de deixar alguma coisa quando um dia partir. Quero tentar fazer alguma diferença, e depois de ter sido mãe ainda me dá mais força para querer continuar cada vez mais.

E eles contaram-me de como é que tudo começou, com o filho. Os nossos filhos têm a mesma idade. Não há coincidências. E olhamos os três uns para ou outros e percebemos que estava a acontecer ali alguma coisa. Foi tudo muito rápido. Foi tudo muito ao mesmo tempo.

A Skizo disse-me “gostávamos muito que tivesses uns ténis, escolhe à tua maneira, o que quiseres” eu escolhi. À minha vontade, branco porque sou apaixonada pela pureza do branco, o dourado porque dá sempre um brilho à vida, sem ser muito forte mas que dá um toquezinho diferente. From The Ocean With Love escrito e com a minha assinatura.

Achei que assim, com essa simplicidade que os ténis eram a minha cara. Ao vê-los na minha mão, pensei “eu acho que estes ténis podem de facto, agradar a mais pessoas.” Houve uma fluídez, uma conexão maravilhosa, passados uns dias já estávamos a fotografar. É assim que as parcerias boas e honestas começam, e está a ser um sucesso.

Esta é a sua primeira colaboração com uma marca de moda ou de acessórios? Com este propósito?

Anteriormente eu já tinha vivido essa situação, ainda este ano, que foi com a Dama de Copas, e  os fatos-de-banho da Body Glove (uma marca americana) que também se preocupa com os tecidos e com o ambiente. Também tem algumas peças de treino, de yoga etc. Ou seja, há aqui claramente uma ligação ao meu perfil enquanto pessoa que se preocupa não só com a saúde mas também com o bem-estar, com o meio ambiente e com o consumo consciente. Correu muito bem a nível de vendas, e foi algo que eu quis continuar a apostar.

Eu sabia que o meu caminho sempre se aproximava, por aquilo que eu faço, que eu consumo e que eu considero na vida, das causa pelas quais eu também me movo. Não é à toa que criei, em 2014, a organização Change It. Tenho estado sempre movida à espera das pessoas certas, das colaborações certas.

Que façam realmente a diferença. Porque Portugal também é pequeno e o mundo às vezes parece-nos uma aldeia, obviamente tem que se criar projetos e parcerias que tenham resultados. Não vamos todos estar aqui a lançar um produto porque sim, ou porque é muito engraçado. Nada disso, sou uma pessoa focada. É abraçar uma causa, é também algo que as pessoas percebam que faz sentido. Que faz sentido!

From the Ocean with Love. Fale-me desta coleção.

Estes ténis são feitos a partir de dezoitos garrafas de plástico que vêm mesmo do Oceano. E que inclusive foi isso mesmo que me motivou. Porque temos muitas peças e muitas marcas que fazem o seu trabalho e o seu processo. Mas que estão no encontro ainda da totalidade de uma peça ser completamente sustentável.

No caso destes ténis eles são completamente sustentáveis. São dezoito garrafas de plástico recicladas (por par). Acontece que não é só parte do plástico, há todo um processo, que eu depois vou filmar e acompanhar. São pescadores, aqui na zona de Lisboa e não só, que recolhem as garrafas do mar e essas garrafas são enviadas depois para a fábrica, no norte de Portugal, e transformadas em fibras.

Falei com os meus pais (com ligações à industria do calçado) sobre algumas particularidades de  pormenores como a sola, porque eu sou de facto assim. Eu dou muita importância ao consumo consciente. Gosto de comprar qualidade e é óbvio que gosto de moda de coisas bonitas.

Criei este modelo que a Andreia e o André amaram, e mesmo que não gostassem, é o meu. É o gosto da Ana Rita Clara. Deram-me carta branca no sentido que “se é para ti e tem a ver contigo, vamos confiar no teu gosto”. Acho que efetivamente algumas partes de criação vêm de ti, dentro de ti. Aí não há muito espaço, há no pós, depois de criar.

E eu gosto muito de criar e gosto muito de moda, então isso foi para mim maravilhoso. Finalmente poder criar alguma peça completamente sustentável, com plástico reciclado, pele vegan – pinatex e borracha reciclada. São uma escolha minha mas qualquer pessoa pode alterar detalhes.

Ana Rita Clara com os ténis Skizo by ARC

A Comunicação

Como é que se define enquanto profissional?

Eu diria que sou… (Multifacetada?) Sim, isso é o que as pessoas conhecem, multifacetada, multitasking. Trabalho em televisão mas depois também trabalho como atriz, sou ativista, sou empresaria, também lanço outras coisas. Acho que profissionalmente eu gosto de respirar o futuro, a influencia que é boa.

Eu sou uma comunicadora de excelência, no sentido em que não poderia ser uma outra coisa. Os meus amigos perguntaram-me como é que eu consigo, tantas atividades, tantas áreas? Para mim é a coisa mais natural do mundo. Porque não consigo ser de uma outra forma e sempre consegui encaixar tudo no seu tempo

Porque faz parte, é como um polvo, é um tentáculo comunicativo que toca as pessoas de várias formas. – David Bowie definia-se de uma forma muito curiosa, não me querendo comparar obviamente, era um músico, era um artista. Mas não era só um artista porque era designer, pintor, ilustrador, poeta, entertainment, criativo… E uma vez perguntaram-lhe o que ele era, músico, cantor, o quê? E ele dizia, “eu sou um comunicador.” – Sinto que não posso só fazer televisão porque também ainda me falta fazer tanta coisa em televisão, chegar a tantas outras pessoas e fazer outros formatos e conseguir também alcançar outro tipo de público.

Não posso apenas ficar só na “caixinha mágica” porque preciso das pessoas e de criar coisas diferentes. Mas também existe o digital. O digital é absolutamente fascinante e eu sinto-me uma mulher do futuro. Que sempre acreditei nisso. O digital toca em pontos e consegue também ter uma influência completamente diferente.

“É-se jornalista porque se quer mudar o mundo”. Concorda com essa afirmação? O que gostaria de mudar?

Concordo com a afirmação mas que não se aplica a todas as pessoas (jornalistas), obviamente. Concordo que quero mudar o mundo. Eu quero começar e começo por mudar o meu próprio. Porque acho que é o mundo interior que começa primeiro em transformação.

Depois cá fora, vêem-se os resultados e sinto que estou a fazer a minha parte. Que vou fazendo a minha parte, para a minha vida. Lá está, voltamos ao mesmo, não só com o meu tipo de trabalho em televisão, e o tipo de formatos e de programas, que acho que me colocam de uma outra maneira a comunicar com as pessoas, que é aquilo que me move. Mas também o próprio Change It.

Ao cruzar diferentes meios de comunicação, a televisão, o digital e os encontros que promovem a troca de ideias como o Change it, está a aumentar a sua capacidade de influenciar ou informar mais pessoas. Qual é fio condutor que liga todos estes meios e formas de comunicar?

É a Ana Rita Clara (risos). É a genuinidade, a honestidade em tudo o que faço. Sem máscaras. Acho que efetivamente cada papel tem o seu próprio espaço. As pessoas compreendem quando estamos num estúdio de televisão temos muitas vezes que ter alguns cortes ou algumas condições de entrevistas que são um pouco diferentes.

No digital as possibilidades são outras, quando eu vou para a rua com o meu canal online, é óbvio que é uma liberdade que me agrada muito. Que não há qualquer tipo de guião, aliás nem em televisão tenho guiões, nem nunca tive. Acho que é essa pureza, essa clareza humana, essa consistência, força talvez, essa energia que eu procuro passar.

Sempre muito genuíno e muito real para se criar um estilo, criar uma marca, e eu criei a minha. Foi um ano de muitas mudanças. Criei o meu logo, e a minha própria marca. Com o A que é All the way to the top. Num sentido bom, é de foco, o de te ultrapassares a ti própria. All the way to the top, porque depende do teu topo, de qual é o teu topo.

Ana Rita Clara com os ténis Skizo by ARC

Change It

O que é o Change It?

É uma Organização que tem o seu espaço e tem uma ligação às Nações Unidas. Change It é um movimento e um projeto que pretende efetivamente mudar mentalidades. Já está a mudar mentalidades e a influenciar, no bom sentido, as pessoas.

Falar de temas mais relevantes da sociedade e colocar em contacto os comuns portugueses, ou não portugueses, que querem perceber um pouco mais e perceber como é que podem mudar as suas vidas. Colocá-los em contacto numa rede que efetivamente já faz a mudança, que são os meus changers.

E neste momento, ao longo de cinco anos, nós fomos caminhando de um movimento, de uma rede de mais de dez mil portugueses inscritos para irmos para todo o país. Fazemos talks/conferencias em todo o país, na Madeira, no Porto e em Lisboa várias. Sempre foi gratuito e sobretudo muito ávido destas personalidades incríveis.

Todos são changers mas há pessoas mais reconhecidas. Onde têm a oportunidade de falarem do seu lado B. Fui sempre gravando tudo, porque sou uma comunicadora, mas a minha ideia sempre foi em começar com estas talks/conferencias para caminharmos depois para um projeto maior.

Que naturalmente há de vir mas a seu tempo. Eu quero criar, de facto, um summit, um evento muito especial com carimbo internacional dedicado ao impacto social. O Change It é uma organização, caminha para ser uma organização, que já está alinhada com os dezassete Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Temos já muitos parceiros, nomeadamente em Portugal, de Organizações Institucionais e Privadas, que com o palco Change It podem mostrar aquilo que estão a fazer. Portanto, passo a passo, a Organização vai também mudando a cabeça das pessoas e mudar esta forma de estar.

Para conseguirmos avaliar o impacto social que o Change It tem tido temos que considerar a variante de números de inscrições de pessoas que temos e que continuamente têm ido a mais de vinte conferencias que fizémos com mais de trezentos changers envolvidos de uma rede já com alguma relevância.

A nível do impacto social podemos avaliar os inquéritos e questionários que temos feito sempre. Como é que entraram no Change It e como é que saíram depois? Temos feito essa avaliação. E estamos agora a caminho de termos um relatório que vai apresentar o que se alterou na vida das pessoas. Porque isso é muito importante, não podemos apenas dizer que temos um projeto.

Eu acredito na sustentabilidade em todos os níveis e em números concretos do que é que foi feito. Como é que se influenciam as pessoas? O que é que é realmente o Change It para aquelas pessoas se transformarem? E já existem essas histórias, de jovens que entraram sem saberem os seus caminhos e ficaram efetivamente inspirados e conseguiram fazer uma trajetória diferente.

Porque naturalmente às vezes de conversas, em meio de conversas e num meio mais livre de mentoring, acaba por existir uma orientação que é fora do que é a consultoria. É uma orientação que é mais inspiradora, de comunidade. Agora também temos ligações com a Casa do Impacto da Santa Casa da Misericórdia.

Porque de facto, existem também estes laboratórios bons, daquilo que são grandes projeto e que podem depois dar visibilidade ao que acontece. Mas essa é uma das histórias, depois temos outras pessoas que podem mudar de vida e que já fazem parte da nossa comunidade de changers.

Acaba por ser um ponto de encontro de partilha de experiências pessoais e de networking. As pessoas têm que perceber que a mudança começa primeiro num momento crucial da vida em que somos deparados com uma situação, seja ela qual for, e temos que dar o twist. Mas isso implica estar no momento certo e estar disponível para essa mudança.

E eu quero fazer parte dessa mudança positiva. Ajudar as pessoas com ferramentas. O Change It terá também uma academia. Aí, será muito mais simples do que só em conversas e com uma parte mais teórica. Depois teremos uma parte mais especifica de ferramentas para, efetivamente, as pessoas mudarem as suas vidas.

Isso é fundamental. Eu gosto muito de conversar e sou muito criativa, de facto, mas há muito tempo que já aprendi que é muito importante sabermos ouvir e que é muito importante concretizar.

Influencia Positiva

Que apelo pode fazer, enquanto influencer, a quem ainda não despertou para a importância de uma industria da moda que respeita mais a natureza e as pessoas?

A palavra influência pode ser verdadeiramente assustadora, pode ser perversa. Tem que existir uma formação para o que é influência nas pessoas. Uma coisa que tenho dito sempre é que fico muito grata e sou muito grata a todas as pessoas que me acompanham. Não é que me seguem, é que me acompanham.

Porque não há ninguém atrás de ninguém. Há pessoas que caminham lado a lado nos mesmos objectivos. Se eu sou alguma inspiração, alguma referencia, alguma influencia, que seja sempre boa. Mas que as pessoas nunca deixem de ter a sua própria cabeça. No caso do consumo consciente, a única que eu posso fazer é falar sobre aquilo que me move, tentar explicar o porquê que podemos caminhar nesse sentido, sem ferir susceptibilidades.

Sem ser fundamentalista, sem ir contra Black Fridays ou Saldos, ou o que seja. E apelar a um consumo, que seja um consumo consciente, que seja um consumo próximo do coração e próximo daquilo que nos torna mais humanos. Ou seja, comprar por exemplo os ténis Skizo by ARC é apenas uma das formas que as pessoas têm de o fazer. Não tem que ser só a mesma.

E é por aqui que as coisas começam, lermos um pouco mais, percebermos um pouco mais. Para quem me acompanha ou até eventualmente tem alguma simpatia por mim, gosta das minhas opções. Porque não ler o que eu escrevo? Informem-se e porque não fazer uma primeira compra?

Uma vez disseram-me, “se tiveres dentro do armário uma peça que não uses 30 vezes, é tempo de te desfazeres dela”, no bom sentido. Reciclar, oferecer, doar a lojas de segunda mão, trocar com uma amiga ou amigo. Mas repensar o processo. Deixar de sermos uns passageiros neste planeta que só pisam a Terra e que não a ajudam a criar frutos nem raízes boas. Isso foi de um outro tempo e como seres humanos mais conscientes, acho que pode começar aqui.

Ténis Skizo by ARC

Como é que se define enquanto consumidora de moda?

Confesso que atualmente gasto alguma parte do dinheiro em compras para o meu bébé. Às vezes coisas desnecessárias, no sentido do brinquedo mas que depois faço questão de dar a outras crianças. Não se torna desperdício, valorizo e tem uma utilização para outras pessoas.

Como consumidora sou uma consumidora de moda consciente, até porque sempre acreditei, e sinto que eu própria me movo num meio, a televisão que é muito importante e que tem um valor social, psicossocial até, nas pessoas, muito forte. A televisão convencional está em transformação mas o pequeno grande ecrã, seja digital ou convencional vai sempre tocar as pessoas.

Eu acho que não podemos viver interminavelmente num momento de efemeridade do que é superficial, do que já passou. Gosto da intemporalidade, acho que qualquer ser humano quer ter os seus básicos. Não sou muito de seguir as tendências. Gosto de as conhecer mas servem-me apenas para pontuar o meu próprio estilo.

Qual é, para si, o recurso natural mais precioso na Terra?

A água sem dúvida! A água é vida. Sempre tive uma ligação muito forte ao mar e à água. O meu pai sempre fez pesca amadora e tínhamos essa tradição nos tempos livres, muito ligados ao desporto e à terra. Sempre vivi muito isto, gosto muito e preocupa-me profundamente a poluição, as alterações climáticas e de como está tudo a mudar.

As estações já não são iguais. Mas eu acho que para a Terra nos dar aquilo que precisamos como alimentos precisamos de água. A água é a base de tudo. A água é vida, quem sabe nos próximos ténis, uma coleção inspirada nisso?

Qual é o seu motto para uma vida mais sustentável?

Eu tenho alguns que me movem. De uma forma mais ampla, sinto que o meu caminho na sustentabilidade tem que ser um caminho do meu próprio sistema. E que cada um de nós deve ter esse sistema. É o sistema que se aplica a todas as áreas das nossas vidas.

É com se não fosse possível apenas comprar produtos que são oriundos do oceano, que são sustentáveis, preciso que a minha vida seja um sistema sustentável. E quando falo de sistema sustentável, une mente, corpo e espírito. É uma elevação diferente do ser humano para se tornar sustentável em tudo o que faz.

No futuro nós não vamos poder continuar a alimentarmo-nos como fazemos, da forma que fazemos. A comprarmos as coisas que compramos. Eu já não o faço. Já não como carne há muito tempo, por opção, há mais de quatro anos. Não sou de todo, fundamentalista, ainda como peixe, gosto muito de sushi, bebo leite e outros produtos de origem animal.

Agora, é um a caminho que vamos fazendo. Não é dizermos que somos sustentáveis, ou que compramos umas peças sustentáveis de moda, acho isso maravilhoso, é um inicio. Temos que criar o nosso próprio e único sistema sustentável pessoal. É isso que eu procuro, todos os dias em todas as opções que faço em todos os caminhos que sigo.

E às vezes a sustentabilidade tem a ver com o nosso discurso, com o outro, com a ligação e conexão com o outro. Tal como me aconteceu com a Skizo e está a resultar num projeto tão bonito. Eu diria que o meu motto atual é todos os dias conseguir ser cada vez melhor. Tentar ser cada vez mais autentica ainda, mais consciente ainda, em qualquer tipo de atitude ou consumo.

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